Validar gol de mão é preconceito?
Escrito por Felipe Barros em 20.09.2009, 14:12
Acho que no vídeo acima ficou bem claro, já na câmera de cima, que o jogador do Paraná Wellington Silva cortou a bola pra dentro do gol. A bandeirinha Ticiana Martins disse ter comunicado ao árbitro a irregularidade, mas o alagoano Charles Hebert Ferreira validou o gol mesmo assim.
O presidente do Ceará, Evandro Leitão, reclama agora que existe um complô contra os times do nordeste. “Estamos sendo prejudicados há muito tempo. Contra o próprio Paraná, no primeiro turno, eles empataram a partida com um gol completamente impedido. Também contra Figueirense, Bragantino, Bahia… Está havendo uma perseguição contra os times do nordeste, para que não subam à primeira divisão”, chorou.
Acho que qualquer pessoa minimamente ligada aos detalhes reparou que eu destaquei duas palavras no texto até agora: a que se refere à naturalidade do árbitro da partida em questão e uma das equipes contra as quais o Ceará teria sido “garfado” segundo o presidente.
Pois é, o árbitro da partida é de Alagoas. E eu aprendi no colégio que Alagoas fica no Nordeste. Por mais que o ensino no Brasil não seja lá essas coisas, já aprendi durante minha vida que isso está certo. E o Bahia é um time do estado de mesmo nome, que fica no… Nordeste!
A reclamação do presidente do Ceará lembra as notícias da semana de que estavam acusando os “anti-Obama” de racistas. Então quer dizer que só porque ele é negro todo o mundo é obrigado a gostar dele? Ou, no máximo, não pode ter nada contra? O próprio Obama se pronunciou dizendo que não é bem assim, que por mais que exista gente que não goste dele pela cor de sua pele, há os que não gostam por outros motivos.
No futebol isso é muito comum. Sempre existe complô contra todo mundo. A imprensa esportiva não gosta de nenhum time fora do eixo Rio-São Paulo. E pra quem está em um desses estados, a imprensa só gosta dos outros grandes do estado, mas odeia o time pro qual o leitor torce.
Isso é mania de perseguição. Paranoia. Não existe complô, tá tudo na cabeça maluca dos homens. E isso vale pro futebol, pro basquete, pra política, pra tudo!



