A Igreja também acerta

Escrito por Felipe Barros em 30.01.2010, 13:12

Pastoral da Terra questiona uso de algemas em sem-terra

A CPT (Comissão Pastoral da Terra) criticou, em nota divulgada nesta sexta-feira, as “autoridades do Judiciário” por elas não terem se manifestado sobre a “espetacularização” da prisão de sem-terra envolvidos na invasão, em 2009, de uma fazenda da Cutrale, em Iaras (SP).

A CPT, braço agrário da Igreja Católica, diz que esse tratamento difere do dado às prisões feitas durante a Operação Satiagraha, da Polícia Federal, em 2008, quando o banqueiro Daniel Dantas foi algemado.

“A imagem de Miguel Serpa [líder do MST] algemado foi estampada nos jornais e veiculada nos noticiários dos canais de televisão brasileiros”, diz o texto. “Onde estão o presidente do STF, Gilmar Mendes, e os demais ministros do Supremo e os políticos tão ciosos da preservação da dignidade humana? Por acaso se ouviu da parte deles a condenação do abuso da ação policial na prisão dos trabalhadores?”, questiona a CPT.

“O que é mais grave, a destruição de alguns pés de laranja ou o assalto aos cofres públicos? Na interpretação das mais altas autoridades do Judiciário, quem desvia recursos públicos, quem se locupleta com os bens da nação, merece um tratamento cuidadoso, pois sua dignidade não pode ser arranhada”, afirma a nota.

Nem sempre eu discordo da Igreja Católica (ou de algum de seus “braços“). Mas tenho certeza de que a maior parte da população brasileira não liga pra isso. “O MST só tem bandido”, como pinta a mída desde sempre. “E bandido não merece ser tratado como ser humano”.

Isso é o que pensa um brasileiro. E isso me assusta.

A notícia é da Folha.

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Coxinha proibida na escola: agora sim o paulista vai ter saúde!

Escrito por Felipe Barros em 26.04.2009, 14:10

A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo aprovou, no último dia 15, um projeto de lei da líder do PR na Assembleia, Patrícia Lima, que proibe a venda de lanches e bebidas de alto teor calórico ou com gorduras trans nas lanchonetes das escolas públicas e particulares do estado.

A medida proibe, entre outros produtos com poucos nutrientes, “salgados de massas e folhados, frituras em geral, biscoitos recheados, salgadinhos e pipocas industrializados, sucos artificiais, pirulitos e gomas de mascar.” Em resumo: só o que as crianças mais gostam de comer.

Ou seja, proibiram a venda de coxinhas, pastéis, risólis, e todo tipo de coisa gostosa que a criançada fica feliz de comer vez ou outra no intervalo das aulas. Agora, vão ter que comer sanduiches (sem acento?) naturais com pão integral e sem gosto. Sem gosto pro paladar de uma criança, obviamente.

É a cruzada contra a obesidade infantil, que se tornou problema de saúde pública. E a solução, claro, é essa (#ironia). Simples, rápida e indolor. Ao menos pro Estado, é. Mas não pras crianças e pros pais que vão ter que ouví-las se queixarem, além de provavelmente terem que gastar mais dinheiro com o inocente lanchinho. Ou não, muitos pequenos vão preferir não comer nada mesmo, ou levar salgadinho industrializado de casa.

Se o problema é evitar essas doenças, por que não incluir esse tipo de coisa na grade curricular? Ensinar porque é importante não exagerar em comidas gordurosas, que é muito bom comer arroz, feijão, salada, tomar um suco de vez em quando. Claro, porque o problema é o exagero, não o fato de comer essas coisas.

Isso é o que diz o filme Super Size Me. O cara ficou doente porque comia McDonald’s. Não tinha mais nada na dieta dele além dos sanduiches gordurosos e batatas fritas do restaurante de fast food. Claro, se você almoçar comida de verdade e jantar McDonald´s todo dia não vai fazer bem, também. Mas não vai chegar ao mesmo ponto do protagonista do documentário.

Enfim, essa lei é uma tirada de corpo do Estado pra diversos problemas de saúde das crianças paulsitas. Claro, é mais fácil proibí-las de comer coisas gordurosas e pouco saudáveis – mas gostosas – do que invetir em saúde pública e ensinar a população sobre os problemas do exagero que é levar uma dieta com base nesses alimentos.

Óbvio, seria mais caro e demorado. E, no Brasil, a política do rápido e barato é o que realmente pega.

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Gravidez de menina de 9 anos não é caso pior que outros estupros

Escrito por Felipe Barros em 27.02.2009, 22:04

O secretário estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos de Pernambuco, Roldão Joaquim, caracterizou o estupro e a gravidez de uma menina de 9 anos em Alagoinha (a 230 km de Recife), supostamente cometido pelo padrasto dela, como uma “selvageria” que precisa ser punida.

“Eu não imaginava que alguém fosse possível de cometer algo como isso. Por isso, nós vamos redobrar os esforços para que o suspeito continue preso e pague pela selvageria”, disse Joaquim.

Eu pergunto: por que esse caso de estupro é pior que tantos outros que já foram noticiados? Pra mim, estupro é “selvageria” independentemente de quem comete, quantos anos tem a vítima e se ela fica ou não grávida, seja de gêmeos, tigêmeos ou quantas crianças forem.

Por sorte, existe a possibilidade de a menina fazer um aborto legalmente. Claro, ela vai pro inferno por causa disso, diz o papa, mas e daí? Imagine uma menina de nove anos ser mãe. De gêmeos, ainda por cima! Isso, sim, é um absurdo. Destruir de vez a infância – já destruída – dessa menina.

Se Deus realmente existe, e se é que ele dá a mínima pra raça humana, eu duvido que se importe com um aborto como esse. Que tipo de plano terrível seria esse de engravidar uma menina de 9 anos? E olha que esse não é o único caso do tipo, como podemos conferir mais pro meio da matéria:

“É um caso gravíssimo, mas não é a primeira vez. No centro temos um caso bastante parecido com uma criança de dez anos. Com ela não foi possível fazer o aborto, mas eu acredito que nesse caso os médicos que a atendem devem trabalhar com essa possibilidade”, disse [a advogada Gabriela Amazonas, do Centro Dom Helder Camara].

É um caso de estupro e pedofilia numa tacada só. Mas não é um ato de selvageria por si só. Todos os casos de estupro o são. Independentemente de engravidar, de ser uma menina – ou menino – de 9, 10, 30 anos. Estupro é crime e ponto final. E quem comete um crime desses tem que pagar.

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A imprensa não aprende…

Escrito por Felipe Barros em 19.02.2009, 21:15

“A promotoria suíça afirmou nesta quinta-feira (19) que a brasileira Paula Oliveira, de 26 anos, admitiu ter forjado um ataque de skinheads e mentir a respeito da perda de uma suposta gravidez. A confissão teria ocorrido em um interrogatório realizado há quase uma semana.

A informação de que a advogada teria assumido uma farsa foi dada nesta quarta (18) pela mídia suíça. A brasileira afirmou inicialmente que foi atacada nas proximidades de uma estação de trem de Zurique por três skinheads, um deles com um símbolo nazista tatuado atrás de sua cabeça. Segundo essa primeira versão, os homens a cortaram e também talharam as iniciais de um partido de direita suíço em sua barriga e nas pernas.”

Quando a imprensa brasileira começou a veicular as notícias sobre o ataque, tomou partido contra a xenofobia, além de fazer inúmeras críticas ao governo suíço por não defender a brasileira. Não havia dúvidas: ela foi atacada covardemente por skinheads xenófobos num país que costumava ser famoso pela neutralidade.

Eis que as autoridades suíças aparecem corretas em tomar atitude cautelosa e investigativa. Iinvestigação, aliás, é algo que praticamente inexiste nesse país, tanto por parte das autoridades como pela imprensa. As capas de Veja em casos de repercussão, como a morte da Isabella Nardoni, por exemplo, não me deixam mentir.

Pois o fato de o advogado de defesa da brasileira já planejar usar uma possível doença, o lúpus, para justificar a atitude da cliente, é a peça que faltava no quebra-cabeça. Ela realmente se cortou, provavelmente por um desequilíbrio emocional. Mas fez isso com o próprio corpo, de fato.

E, mais uma vez, a imprensa brasileira toma na cara ao sair acusando, em vez de ser cautolosa e investigativa. Pode ter acertado com o casal Nardoni (o que não justifica a capa acusatória que uma já citada revista fez na época), mas dessa vez errou, e a prova tá aí.

O Caso Escola Base não bastou para os jornalistas do país aprenderem. E isso me envergonha, sinceramente.

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Culpa do estagiário

Escrito por Felipe Barros em 03.02.2009, 22:57

Eu sou estagiário de jornalismo desde o final de novembro do ano passado. E, como sou um cara meio piadista, sempre que alguma coisa dá errada no trabalho eu já mando um “ih, lá vem! com certeza é culpa do estagiário”. Geralmente é, até porque eu não sou o único estagiário do departamento.

Hoje, na página inicial da Folha Online (que não é onde estou trabalhando), li que “Alexandre é eliminado com 49% do programa” (foto abaixo). Caramba, o cara foi eliminado com mais quase metade da galera do Big Brother. Vai ser a edição mais curta da história desse programa, então?

Alexandre é eliminado com 49% do programa

NÃO! O cara foi eliminado do programa com 49% dos votos. Obviamente, a cagada é de algum estagiário. Jornalista formado já aprendeu a tomar cuidado com besteiras desse tipo. Ou, se não aprendeu, tá no ramo errado.

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Denúncia de manipulação de resultado deve ser apenas intriga

Escrito por Felipe Barros em 07.12.2008, 23:12

Me parece que esse caso de “tentativa de manipulação de resultado” do jogo de hoje entre Goiás e São Paulo não passa de intriga entre cartolas.

Juca Kfouri informou, em seu blog, que Marco Polo del Nero, presidente da Federação Paulista de Futebol e autor da denúncia, e Reinaldo Carneiro Bastos, vice-presidente da FPF, não se dão bem.

Aparentemente, o vice da FPF pediu ao São Paulo alguns ingressos de cortesia para o show da Madonna, que será no Morumbi, e Tardelli estaria em uma lista de convidados do vice da federação. O nome do árbitro teria sido mencionado em conversa telefônica entre a secretária de Juvenal Juvêncio, presidente do São Paulo, e a secretária de Bastos.

Nada a ver com o jogo deste domingo, ao que tudo indica.

Mas a CBF acertou ao mudar o árbitro da partida. Errou ao não convocar coletiva de imprensa para esclarecer melhor o caso.

Infelizmente, só saberemos ao certo o que aconteceu amanhã. Ou não, é bem possível que ninguém queira explicar nada e só enrole amanhã. E o caso fica por isso mesmo.

Por enquanto, é direito do são paulino comemorar o hexa. O primeiro tricampeonato consecutivo da história do clube. E do Campeonato Brasileiro.

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Pedágio urbano: nem contra, nem a favor

Escrito por Felipe Barros em 13.11.2008, 12:23

Especialistas em trânsito discutiram, no seminário “Mobilidade Urbana”, possíveis soluções para o problema dos congestionamentos na cidade de São Paulo. Entre as soluções estaria a cobrança do pedágio urbano em locais de tráfego mais intenso.

Em Londres, por exemplo, é cobrado pedágio no centro da cidade. A taxa, se não me engano, é algo em torno de 8 libras por dia. De fevereiro a junho de 2003 (primeiros meses da implantação), os engarrafamentos na cidade caíram 40%. A diferença, porém, é que o sistema público de transporte em Londres é muito bom.

Em São Paulo, não é o pedágio urbano que vai resolver o problema da mobilidade urbana. Tem que melhorar bastante o sistema de transporte público antes de se implantar uma medida dessas. Se já é impossível pegar ônibus atualmente, imagina como ficaria com o pedágio urbano! Sem contar que o metrô não atende nem metade da cidade ainda.

Por isso, não sou nem contra e nem a favor do pedágio urbano. Serei a favor a partir do momento em que nossos governantes, seja na esfera municipal, seja na esfera estadual, investirem e melhorarem o transporte público a ponto de não ser uma guerra entrar em um ônibus ou pegar ônibus-metrô-ônibus pra ir de um lugar a outro da cidade.

Até lá, vou continuar reclamando do estado em que se encontra o sistema público de transporte da cidade. Mesmo que eu não seja usuário muito freqüente dele. Afinal, isso não me exclui do debate.

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A revista Veja e sua realidade paralela

Escrito por Felipe Barros em 22.09.2008, 12:55

Que a verdade é relativa quase todo mundo sabe. Mas aposto que quase ninguém consegue explicar direito esse complicado conceito. “Você não concorda comigo que o céu é azul?”, diz um. “Sim, claro, concordo”, responde o outro. “E dois mais dois, não são, incontestavelmente, quatro?”, continua o um. “É, tem razão”, desiste o outro.

Óbvio que os exemplos utilizados pelo um são muito simplistas. No entanto, podem, sim, ser contestados. Mas não é sobre isso que eu quero falar. O fato é: a Veja é uma porcaria. Isso não é um fato incontestável, como não é inconstestável que dois mais dois são quatro. Tudo depende do ponto de vista. Ou melhor, da análise que você faz. A Veja dá lucro, o que é bom. Então como ela pode ser uma porcaria?

Acontece, meu amigo, que a Veja “inventou” uma realidade totalmente distorcida e cheia de factóides absurdos. Peguemos como exemplo a capa desta semana. Nela, vemos o Tio Sam segurando umas notas de cem dólares e apontando pra cara do leitor, com os dizeres “eu salvei você”, em letras garrafais. Disso, entende-se que o Tio Sam salvou a mim, você, sua mãe, seu pai, seu cachorro, e por aí vai.

Pois hoje, vagando pelo Vestiário, encontrei um link para este artigo, de Luiz Carlos Azenha, em que ele resume porquê o Tio Sam não salvou a gente coisa nenhuma, e explica, com muito mais inteligência e capacidade dissertiva do que eu jamais teria, como a Veja distorce a realidade e aliena milhares de leitores todas as semanas: “Verdade factual? Quem quer saber dela se podemos fabricar nossa própria verdade? Luís Nassif definiu como parajornalismo, que é do que se trata: a criação de uma realidade paralela”, escreveu Azenha, obviamente, ironizando o pensamento da revista.

Se você é daqueles que lê e acredita fielmente em tudo – ou quase tudo – o que essa revista publica, cuidado. Você pode estar vivendo em um mundo paralelo em que o governo brasileiro só pensa em ferrar com todo mundo, enquanto os endinheirados, os verdadeiros heróis, lutam bravamente contra o malvado Luiz Inácio que, veja só, ousa dar dinheiro pra uns vagabundos que só fazem vadiar e ter filhos. E isso com o dinheiro suado da classe média, que é quem paga imposto, enquanto os ricos, dedo em riste, esbravejam contra a falta de ética dos políticos brasileiros.

A realidade, meus amigos, é que esses caras sonegam impostos. Só não sonegavam a CPMF, mas, graças à bravura desses homens, ela se foi e, agora, temos alguns reais a mais no banco todo mês. E o Bolsa Família pode não ajudar a todos, mas tirou muita família da miséria. E esses mesmos caras que tanto esbravejam contra a falta de ética dos governantes vivem se aproveitando da Lei de Gérson país afora, dizendo “você sabe quem eu sou” e todas essas coisas absurdas e irritantes que a classe alta brasileira vive fazendo.

O que não significa que o governo brasileiro e nosso presidente sejam 100% bonzinhos, cheios de boas intenções e etc. Enfim, leia o artigo e, se tiver tempo, leia também o blog Vestiário. Se não tiver tempo, arruma e lê de qualquer jeito.

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FARC e governo brasileiro

Escrito por Felipe Barros em 01.08.2008, 7:24

Farc estão infiltradas na ‘alta esfera’ do Brasil, diz revista

E-mails em computador de ex-líder rebelde mostram ligações com o governo Lula, afirma publicação colombiana

A Cambio também disse que, “apesar de os e-mails serem apenas indícios de um possível comprometimento do governo Lula com as Farc – pois nenhum dos funcionários enviou mensagens pessoais a algum dos membros do grupo guerrilheiro – despertam muitas dúvidas que exigem uma resposta do governo” brasileiro.

É, eu também sou amigão do peito do Lula. Mando e-mail pra ele todos os dias.

Não que ele responda…

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Justiça

Escrito por Felipe Barros em 18.07.2008, 7:12

O ex-banqueiro Salvatore Cacciola afirmou nesta quinta-feira, no Rio de Janeiro, que nunca foi um foragido da Justiça. “A primeira coisa é que eu nunca fui um foragido. Fui para a Itália com passaporte carimbado”, disse.

Ele afirmou ainda estar “tranqüilo” e confiante na Justiça. Cacciola destacou que dez outras pessoas condenadas no mesmo processo estão livres e trabalhando. “A única diferença é que eu estava na Itália.”

O ex-banqueiro disse também que foi um “erro” ter ido a Mônaco. Cacciola desembarcou hoje no Brasil depois de uma viagem que o trouxe de lá, onde estava preso desde setembro do ano passado. O avião que trazia o ex-banqueiro pousou no aeroporto Tom Jobim, no Rio de Janeiro, por volta das 4h30.

Grifei a partes mais imporantes, e acredito ser suficiente pra qualquer um entender a piada. Se quiser, leia mais.

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