O arcebispo não tem culpa pela visão retrógrada da Igreja
Escrito por Felipe Barros em 08.03.2009, 23:25
A menina de 9 anos que foi estuprada pelo padrasto já fez o aborto, passa bem e não corre mais risco nenhum. Infelizmente, porém – ou não – foi excomungada. Para D. José Cardoso Sobrinho, arcebispo de Olinda e Recife, todos os que participaram e apoiaram o aborto foram excomungados porque cometeram um pecado gravíssimo: tirar uma vida inocente. Essa é a posição da Igreja Católica, apoiada inclusive pelo Papa.
O Movimento Católicas pelo Direito de Decidir se pronunciou contra a excomunhão. Para eles, foi crueldade da parte do arcebispo. Aliás, o Brasil quase inteiro concorda. E, se o país inteiro apoiava o aborto, acho que o país inteiro deveria ser excomungado, então. Mas esse não é o ponto que quero discutir.
O arcebispo está correto. Para a Igreja Católica, o aborto é um crime mais grave que o estupro. Isso não é culpa dele. É culpa dessa visão totalmente retrógrada do catolicismo. Quando a Bíblia foi escrita, não existia a igualdade entre os sexos. A mulher era vista com fins meramente reprodutivos em uma sociedade extremamente machista.
Como escreveu Carlos Cardoso em seu blog Contraditorium, “se uma mulher for estuprada e não gritar, deve ser morta por apedrejamento, mas se for sequestrada pro deserto e então estuprada, tudo bem, pois assume-se que ela gritou e ninguém ouviu (Dt 22:23).” Isso, segundo Cardoso, está na Bíblia. E realmente, a visão do homem naquela época era bem por aí.
Eu já escrevi aqui que era a favor do aborto, especialmente por ser amparado pela lei do nosso país que, felizmente, é laico e, em muitos momentos, lembra-se disso e faz valer as leis como elas devem ser, independentes da posição de qualquer religião.
A Igreja Católica mantém até hoje uma visão retrógrada da sociedade. Isso já a fez perder inúmeros seguidores no final da Idade Média, onde está presa até hoje. Eu conheço algumas pessoas que dizem acreditar em Deus, mas não são religiosas. O ser humano está deixando de ser religioso, aos poucos. Não me surpreenderia se, no próximo milênio, o sonho de John Lennon tiver se tornado realidade.



Felipe, está é a sua visão de mundo. Respeitável, mas não unânime.
A Igreja Católica sempre defenderá a vida. Em qualquer circunstância, nunca cederá à cultura de morte pregada pela sociedade egoísta, consumista, hedonista na qual vivemos.
A vida deve estar acima de qualquer valor, e não é um critério somente religioso, é questão de direitos humanos. Todo ser humano deve ter direito à vida, inclusive aos que ainda encontram-se no útero.
Quem mede o valor da vida? Quem pode dizer qual delas é mais importante? A da mãe? A dos filhos? A do branco? A do negro? A do pobre? A do rico? A dos empresários? A dos trabalhadores? A dos alemães? A dos judeus?
No presente caso, qual foi o critério utilizado para justificar que as duas vidas (intrauterinas) valiam menos que a da menina (mãe)?
Liberdade e Vida são direitos que caminham juntos, não se contrapõem, mas também não são equiparáveis. Não se pode admitir que vidas sejam suprimidas, exterminadas, sem qualquer defesa, em nome da liberdade individual da mulher.
A emancipação feminina é uma realidade maravilhosa. Eu sou uma mulher de 30 anos, que vivo todas as realidades de muitas mulheres de hoje (casei-me, tenho dois filhos, casa, trabalho fora e estou fazendo a segunda faculdade), e sofro todas as pressões que qualquer mulher sofre.
No entanto, jamais lançaria mão da vida de qualquer dos meus filhos em nome de minha liberdade. Ao contrário, estou disposta a derramar a minha vida até a última gota, para serví-los e vê-los crescerem felizes, seguros e amados.
Sinto muito pelo que aconteceu com a menina de 9 anos, uma criança violentada, agredida na sua intimidade, na sua dignidade, interrompida a sua infância de forma tão bruta, mas senti muito mais pelos dois indefesos que jamais terão a oportunidade de ver a luz do dia, de sentir o calor do colo de sua mãe, de tomar chocolate quente num dia frio e refrescar-se ao sol de 30°, também não terão um blog como este…. porque morreram antes mesmo de nascer!
Tatiana Fonseca
Nossa, me emocionei com o final do comentário da Tatiana. Duas vidas inocentes não poderão nunca “tomar chocolate quente num dia frio”. Até chorei aqui de tamanha comoção.
Nunca mais tomarei chocolate quente pois lembrarei das pobres crianças que já foram abortadas.
Também vou parar de viver, lembrando de cada vida que a Igreja Católica ceifou ao longo de seus dois mil anos de história.
André Pacheco
Pois é, defender publicamente a vida e a família não é nada fácil… é preciso estar convicto para suportar as críticas, humilhações e, ainda manter-se íntegro….
Tatiana Fonseca
Padres viadinhos e suas coisas estúpidas, me acordem quando o Vaticano resolver dar uma vida digna a um fruto de incesto e acompanhamento psicológico para ambas as partes…
E o pai que come a filha não é excomungado? no final das contas quem faz justiça são os presos que vão foder o dito cujo.
Enquanto isso: Papa calça seu belo par de Prada e vai passear em seus Mercedez blindado…ah…no café da manhã uma mesa farta, claro.
me poupem, aposto que esse padre é comedor de criancinha
Marcelo
Perguntem ao bispo quantas vezes ele orou pela alma de uma “criança” abortada por causas naturais. Ao londo de um longo sacerdócio, certamente ele já tomou ciência de alguns casos assim. Ocorre que os padres “encomendam” a alma de uma pessoa quando a vida humana se extingue. Se um padre não encomenda a alma de um feto abortado naturalmente ele está explicitamente admitindo que aquela vida humana que se extinguiu não era, para fins dos sacramentos aplicáveis nestes casos, exatamente uma “criança inocente” que morreu. Não precisa grandes rodeios e elucubrações racionais e teóricas para refutar essas teses cujo resultado final é punir ainda uma segunda vez uma criança que já foi suficientemente vitimada pela vida.
O próprio pensamento católico (e de outras denominações religiosas também) já são suficientemente falhos e guardam contradições internas. A religião para mim é um dos mistérios mais fascinantes da humanidade. Não por causa da maravilha transcedental que ela promete mas pelo fato de pessoas inteligentes, corretas, sensatas, às vezes até bem racionais e honestas realmente acreditarem e defenderem os mais completos absurdos! Nunca compreenderei como isso é possível.
Hoje um católico defendeu sua santidade que, para consolar os desabrigados que o Deus dele permitiu serem devastados pelo terremoto na Itália, mandou Ovos de Páscoa!
Você perde sua casa, mulher ou marido, filhos, irmãos, amigos, tudo o que havia de mais valioso para vc e um gozador sádico lhe manda Ovos da Páscoa! E ainda há quem ache um homem desse respeitável. Realmente, é um piadista de se respeitar mesmo!
Bastava ter mandado o dinheiro mesmo.
Rogério
É muito fácil criticar a Igreja Católica, o Arcebispo de recife e todos aqueles que apoiaram a decisão de excomungar a todos que de alguma forma colaboraram com o aborto. Difícil mesmo é pesquisar sobre tal assunto e ver que há muitas razões para tal.
A Igreja defende uma teoria biblíca de que matar é o maior dos pecados, a partir do momento em que há a fecundação, há o surgimento de uma nova vida, com o aborto é uma chance de um ser de viver, de fazer o mundo melhor do que ele é hoje.
Nas leis da Igreja está escrito que para o crime de aborto há a punição de excomunhão, a excomunhão imposta a todos os que participaram do aborto está correta, mesmo causando tanta polêmica. O que as pessoas desinformadas não sabem é que essa punição pode ser revista de maneira simples. É necessário apenas que os excomungados procurem um bispo e confessem a ele seus pecados para que ele, em nome de Deus, o perdoe, porque segundo as leis de Deus, não há pecado sem perdão.
Se a menina não tinha condições de criar a criança, desse à aqueles que não podem ter filhos, uma vida salva e duas famílias satisfeitas.
Driely