Home > Humor, Sociedade > Defesa do humor politicamente incorreto? Prefiro ser a favor do humor BOM!

Defesa do humor politicamente incorreto? Prefiro ser a favor do humor BOM!

Jerry SeinfeldJerry Seinfeld é, provavelmente, o maior gênio da comédia na atualidade. Além de fazer um show de stand-up comedy sensacional, criou e escreveu, ao lado de Larry David (outro grande nome do humor contemporâneo) uma série sobre nada que, na minha opinião, é a mais engraçada da história da televisão. Sem falar no Melhor Livro Sobre Nada.

Em um dos espidódios de Seinfeld, o dentista de Jerry lhe conta que acaba de se converter ao judaísmo. E, assim, passa a contar piadas de judeus, que são adicionadas a um repertório de piadas de católicos. Isso ofende o comediante, que procura um padre católico para “confessar”. “E isso te ofende como um judeu”, pergunta o padre. “Não. Isso me ofende como comediante”, explica Jerry.

Essa cena é um show de humor de qualidade. Nada ofensivo, apenas graça pelo ridículo da situação.

Diferente do humor dos comediantes brasileiros, Jerry Seinfeld não precisa ofender ninguém para fazer graça. A maioria dos seriados americanos fazem piada no ridículo, no absurdo. Mas esse é apenas um dos meios de se fazer comédia, claro.

“Não é o assunto que é o limite. É como você o aborda”, disse Hugo Possolo em uma matéria da Ilustrada, da Folha de S. Paulo. Possolo é criador do grupo teatral Parlapatões, que tem um anão piadista, Hélio Pottes, entre os atores. “[Ele] fez um filme mostrando as dificuldades dele no metrô. Não havia humilhação. Era diferente do “Pedala Robinho” [quadro do "Pânico na TV"]“.

Na mesma matéria, Miguel Falabella lembra do personagem de Sai de Baixo, Caco Antibes, que viva reclamando dos pobres. “A base do humor é o politicamente incorreto. Ao pé da letra, qualquer piada de gay ou de gordo pode ofender. O Caco Antibes vivia reclamando de pobre, só que de uma forma farsesca, que cabia no personagem. O tom influencia o fim da piada”, analisou.

Os vogons, terríveis burocratas no universo imaginado por Douglas Adamns

Douglas Adams faz graça, especialmente, com a burocracia britânica. Os vogons são o maior exemplo

Apesar de eu discordar que o politicamente incorreto seja a base do humor, o humorista global foi no ponto quando disse que “o tom influencia o fim da piada”. A ironia e o absurdo precisam andar de mãos dadas com o humor, não o politicamente incorreto ou a humilhação.

Não vi o quadro da “Casa dos Autistas”, então não sei se a intenção era humilhar ou apenas explorar o ridículo da situação. Mas acredito que, se alguém achou graça, é porque foi engraçado. Mas se alguém se ofendeu, é direito dessas pessoas.

O que me incomoda nessa “antipatrulha” do politicamente incorreto é que o pessoal está começando a forçar a barra. Usam isso como bandeira para vomitar um monte de babaquice na TV, nos jornais, na internet…

Isla Fischer, atriz gata de Hollywood

Isla Fischer. Ela não tem nada a ver com o texto, mas e daí?

Acho melhor buscar uma forma diferente de fazer as pessoas rirem. E, para isso, indico o estudo dos shows, da série e do livro de Jerry Seinfeld, além dos filmes e da série do grupo britânico Monty Python. A série de livros do Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams, também tem que fazer parte do repertório. Tudo humor de qualidade, sem ofender ninguém. Porque não precisa.

Não que eu seja a favor da patrulha do politicamente correto. Só não acho necessário ficar batendo de frente com esse pessoal. Se estão reclamando, é melhor procurar outro caminho para fazer piadas. A menos que você não se ache capaz disso…

  1. Nenhum pedido até o momento
  1. Não há trackbacks

Spam Protection by WP-SpamFree